segunda-feira, dezembro 05, 2005

Excertos (71.155)

[155/2005]
O candidato monolito

(...)
Transcrevo: "Duas pessoas sérias com a mesma informação têm de concordar".

(Cavaco dixit)

Segundo Cavaco, nas decisões, nas opções, incluindo as políticas, só se diverge por diferença na "informação" que se tem. É essa a máxima pluralidade que Cavaco concede. Havendo-a (a informação, os indicadores, os dados, as estatísticas), o País marcha com passo certo, um, dois, esquerdo, direito. Raramente ouvi frase de maior gelo político e humano, tamanho reducionismo de entender os homens, a sociedade, a política. Cavaco não será um ditador (não interessa, agora, se por questão de circunstâncias) mas, pelo que vai começando a dizer, pensa, no mínimo, como um ditador democrático. Porque, ou não é sério ou é mas não tem suficiente informação (não sobre estatísticas, mas sobre os homens e as sociedades). No caso, o máximo e o pior do profissionalismo na política.
(Leia o texto completo)
João Tunes
Blog Água Lisa

2 Comments:

At 8:57 da manhã, Anonymous jose figueiredo escreveu...

Um dos traços de caráter mais negativos é a sua "ambivalência". Ele que foi político assumido não quer ser "político" na acepção desgastante do termo. Cavaco quer ser político para ter o apoio expresso de dois partidos políticos. Se quisesse ser só "independente" poderia recusar o apoio expresso dos partidos. Agora demarca-se dos líderes do PSD (que têm carácter político) mas não prescinde dos apoios logísticos do partido. É este oportunismo que o vai aniquilar na segunda volta contra Manuel Alegre. Este simultâneo "ser e não ser" é próprio dos calculistas e dos interesseiros. Esta duplicidade tem que ser explorada pelo discurso de Manuel Alegre. Ele é político ou não é? Quer os proveitos da política mas recusa
os aspectos nocivos dela. Ou seja, da política só quer a "carne"...

 
At 9:04 da manhã, Anonymous jose figueiredo escreveu...

O professor Cavaco usa uma duplicidade calculista, uma ambivalência que deve ser desmistificada. É político e colheu fartos dividendos disso, mas não se quer assumir como político. Quer o apoio do aparelho,
com as mordomias que isso implica, mas não quer o apoio "próximo" de Marques Mendes. Quer o apoio partidário mas não quer ser "colado" ao líder. Enfim, este oportunismo vai redundar na sua derrota na segunda volta. Manuel Alegre, com a sua independência e
a sua maturidade vai impor-se de forma categórica.

 

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